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    Entrevista a João Tabarra

    A exposição individual de João Tabarra, patente na ZDB  e na Galeria Graça Brandão em Abril e Março [2007], vem evidenciar que estamos diante de uma das obras mais ambiciosas e intensas da arte contemporânea portuguesa. A obra mais recente aparece reunida com o nome de G, a constante gravitacional, evocando uma condição essencial de uma lógica planetária anterior ao aparecimento do homem e à formação do sujeito político. Esta exposição aparece, assim, circulando entre a proposta de uma «desheroificação» da construção histórica e a reposição de uma teia política simplificada face à condição partilhada dos seus participantes: a de serem, de coexistirem na superfície terrestre. — Por João Maria Gusmão e João Urbano

      ENTREVISTA




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    Marcus Steinweg

    Quero defender a relevância política da arte e da filosofia em oposição às possibilidades semânticas da «arte política» e da «filosofia política». Quero demonstrar que «arte política» e «filosofia política» implicam uma autopolitização, em vez de ser político no sentido de uma política da liberdade, do impossível e do mais necessário. [...] Quero mostrar que a arte só tem sentido como arte e a filosofia como filosofia. [...] «Esta é a ilusão da esquerda nas últimas décadas», diz Heiner Müller, [...] A arte não é, de todo, controlável. Pode sempre desligar-se do controlo. É por isso que a arte é [...] quase automaticamente subversiva.»

      ENSAIO




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    Daniel Innerarity

    O futuro é algo com o qual devemos manter boas relações porque desempenha um papel muito importante nas nossas vidas, pessoais e colectivas. O mais imprescindível dos livros de auto-ajuda deveria intitular-se, precisamente, «O futuro, manual de instruções». O futuro parece a coisa mais simples do mundo: encontrar-nos-emos com ele façamos o que façamos; quem quiser conhecê-lo, apenas tem de esperar um pouco e ver... No entanto, é um espaço complexo, aberto e desconhecido, que ameaça ou promete demasiado, que inquieta e atrai, onde quem o maltrata acabará por pagar um preço elevado. Nada mais inevitável e, simultaneamente, fácil de eliminar.

      ENSAIO




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    João Urbano

    Neste texto toco em algumas questões ligadas à passagem da modernidade para uma suposta pós-modernidade, fazendo uma abordagem que cruza elementos com tonalidades sociológicas e culturais com elementos de teor mais filosófico. Detenho-me no conflito entre os pensadores que tentavam recuperar um certo programa moderno (Habermas) e aqueles que o declaravam extinto (Lyotard), embora em aspectos relevantes os pós-modernos apenas extremem o dito programa moderno. Por fim abordo as questões ligadas à pós-história e à demanda tecnocientífica, isto é, à tecnocultura actual e uma certa deriva messiânica da mesma.Este texto saiu no livro "Revisitação da Querela Modernidade/Pós-Modernidade" coordenado por José Quaresma e Fernando Rosa Dias.

      ENSAIO




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    Jorge Leandro Rosa

    Às vezes, os media convocam a pintura. Digo «pintura» e não a arte em geral, que é uma categoria que eles nunca duvidam saber o que seja, mas que, por isso mesmo, lhes parece mais apetecível. Falar daquilo que surge definido antes de ser interrogado é a missão que os nossos jornalistas tomam em mãos. É cada vez mais frequente sermos informados do preço de uma obra, do número de visitantes de uma exposição, da vida mundana do artista e do modelo, das características do edifício que alberga as colecções. A arte é hoje um mundo que alguns habitam. Só o modo de vida que aí se leva interessa para fins comunicacionais. Falar de pintura é, por essa razão, inadequado para os públicos desses meios de comunicação.

      APONTAMENTOS




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    João Urbano e Jorge Leandro Rosa

    Esta é uma viagem um tanto contingente, sem um itinerário preciso, pelo riso e seus afluentes: a paródia, o burlesco, o humor, o grotesco, a comédia, a ironia, etc. Pela primeira vez desde o aparecimento da Nada, construímos um número temático. É claro que ficou quase tudo de fora, dada a densidade rizomática do tema, suas múltiplas linhas, filiações, cruzamentos, derivas, mas esse imenso fora de alguma maneira ressoa nos textos e imagens presentes nesta Nada. Num movimento inverso esse fora é para onde se precipitam os que se encontram na borda do riso.

      ENSAIO




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    Hermínio Martins

    Neste texto foco a tecnificação de todos os momentos cruciais das nossas trajectórias de vida, seja no nosso tempo, seja num futuro próximo, começando no princípio da vida desde gestação, nascimento até seu desfecho com a morte e pós-mortem.

      ENSAIO




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    Jorge Leandro Rosa

    «Ler Marx», só. E ler Sousa Dias que veio a dar-nos uma leitura de Marx im-possível, não a leitura da grandeza, mas a grandeza da leitura, que é a única grandeza que nos acerca de Marx. Ler alguém que pensa o acontecimento que é Marx, simplesmente o acontecimento de uma vida que nos interpela porque ainda não foi, ela mesma, lida naquela possibilidade que ela mesma encerra: a de ser lida e não repetida.

      APONTAMENTOS




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    João Urbano

    Este livro debruça-se sobre as implicações, os impactos e repercussões do devir tecnocientífico a nível planetário tendo como eixo a condição humana, e procede a uma desmontagem e desactivação das narrativas, muitas delas de teor messiânico, que legitimam e extremam esse devir.

      APONTAMENTOS




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    Entrevista a Hermínio Martins

    É o pensador português mais decisivo e desconcertante dos últimos trinta anos. É certo que viveu longe de Portugal. É certo que nada faz para a sua auto-promoção, e que a maioria dos seus textos está dispersa por revistas e outras publicações colectivas. Tem o seu lado bom. Hermínio é um sociólogo atípico. É um sociólogo da ciência e da tecnologia e também um arqueólogo das ideias. — por João Urbano e Paulo Urbano.

      ENTREVISTA




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    Aécio Amaral

    Neste texto, gostaria de propor uma especulação a respeito da relação entre experiência, técnica e memória. Tal relação deve ser pensada a partir do caráter constitutivo da técnica em relação ao humano, embora o faça buscando apontar incoerências presentes tanto no humanismo antropocêntrico quanto no discurso ideológico pós-humanista que busca suplantá-lo. Sugiro que a noção de experiência, aliada à lógica derridiana da suplementaridade técnica, pode nos auxiliar na empreitada.

      ENSAIO




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    Entrevista a Herwig Turk e Paulo Pereira

    Herwig Turk e Paulo Pereira têm desenvolvido um projecto artístico a vários títulos excepcional, com a peculiaridade de ser protagonizado por um artista plástico e um biólogo. Têm explorado aquilo que gostam de caracterizar como regiões de fronteira, onde ocorrem sobreposições de territórios disciplinares, e para isso têm construido uma linguagem poderosa a partir do uso da fotografia, do vídeo, da escultura e da performance. — Entrevista por João Urbano

      ENTREVISTA




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    Pedro P Ferreira

    Vivemos, há algum tempo, como que semi-adormecidos, quando não em estado de sonambulismo profundo. Algo nos embaça a visão e nos impede de ver que estamos, provavelmente desde os primeiros momentos de vida, crescentemente aprisionados nas engrenagens e repetições de nossas próprias máquinas, sujeitados a seus ritmos não-humanos, imersos em suas vibrações e hipnotizados pela velocidade crescente dos fluxos materiais e semióticos que estranhamente nos unem a elas.

      ENSAIO




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    Paulo Urbano

    O texto que se segue é uma tradução de uma tradução e vai começar a ser lido

      FICÇÃO


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    Herwig Turk e Paulo Pereira

    «O Laboratório Invisível» reúne as últimas obras criadas no âmbito do projecto BLINDSPOT, iniciado em 2004, por Herwig Turk em co-autoria com Paulo Pereira. BLINDSPOT visa criar objectos e dispositivos artísticos que procuram problematizar o valor simbólico da percepção enquanto parte integrante e contaminante dos processos de construção do conhecimento científico.

      PROJECTO




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    Cecilia Diaz-Isenrath, Emerson Freire e Pedro P Ferreira

    A Ciência representaria hoje, no senso comum, o caminho confiável na busca incessante pelo conhecimento último (codificável), não-hierárquico (buscando diferenças de grau de uma quantidade homogênea) e não-propagandístico («objetivo»). E a imagem do «aparato» científico ainda tem forte poder nesse sentido. Para Laramée, porém, nem Arte nem Ciência devem servir como tiranos de alguma verdade. Em realidade, ela quer mostrar a característica de infinita recombinação contida nas experimentações e nos processos, comuns à Arte e à Ciência.

      ENSAIO




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    Jorge Leandro Rosa

    Proponho algumas perguntas que, não sendo rigorosas nem bem articuladas, podem estimular o diálogo online na NADA. São, portanto, perguntas para as vossas perguntas. São perguntas que tentam pensar e que, eventualmente, se apresentam já desfeitas pela sua própria tensão.

      APONTAMENTOS




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    João Maria Gusmão e Pedro Paiva

    Esta é uma exposição cujo tema principal é a meteorologia. Não é a primeira vez que o nosso trabalho se apropria desta matéria. Já em projectos anteriores se pode sentir um certo ambiente fenomenológico que se refere ao ar. No entanto, parece ser adequado esclarecer de que forma este conceito é tornado complexo na obra para propormos uma exposição que se autonomiza dos projectos anteriores sem deles estar desagregado.

      APONTAMENTOS




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    Marta de Menezes

    O projecto Decon utiliza métodos e materiais de biotecnologia como artmedia para criação de réplicas de quadros geométricos de Mondrian em meio de suporte para crescimento de bactérias. As cores desses quadros serão progressivamente degradadas por bactérias Pseudomonas putida.

      PROJECTO




 

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