«Ler Marx», só. E ler Sousa Dias que veio a dar-nos uma
leitura de Marx im-possível, não a leitura da grandeza, mas a grandeza da
leitura, que é a única grandeza que nos acerca de Marx. Ler alguém que pensa o
acontecimento que é Marx, simplesmente o acontecimento de uma vida que nos
interpela porque ainda não foi, ela mesma, lida naquela possibilidade que ela
mesma encerra: a de ser lida e não repetida.
Este livro debruça-se
sobre as implicações, os impactos e repercussões do devir tecnocientífico a nível
planetário tendo como eixo a condição humana, e procede a uma desmontagem e
desactivação das narrativas, muitas delas de teor messiânico, que legitimam e
extremam esse devir.
É o pensador português mais decisivo e desconcertante dos últimos trinta anos. É certo que viveu longe de Portugal. É certo que nada faz para a sua auto-promoção, e que a maioria dos seus textos está dispersa por revistas e outras publicações colectivas. Tem o seu lado bom. Hermínio é um sociólogo atípico. É um sociólogo da ciência e da tecnologia e também um arqueólogo das ideias. — por João Urbano e Paulo Urbano.
Neste texto, gostaria de propor uma especulação a respeito da relação entre experiência, técnica e memória. Tal relação deve ser pensada a partir do caráter constitutivo da técnica em relação ao humano, embora o faça buscando apontar incoerências presentes tanto no humanismo antropocêntrico quanto no discurso ideológico pós-humanista que busca suplantá-lo. Sugiro que a noção de experiência, aliada à lógica derridiana da suplementaridade técnica, pode nos auxiliar na empreitada.
HERWIG TURK e PAULO PEREIRA têm desenvolvido um projecto artístico a
vários títulos excepcional, com a peculiaridade de ser protagonizado por
um artista plástico e um biólogo. Têm explorado aquilo que gostam de caracterizar como regiões
de fronteira, onde ocorrem sobreposições de territórios disciplinares, e
para isso têm construido uma linguagem poderosa a partir do uso da
fotografia, do vídeo, da escultura e da performance. — Entrevista por João Urbano
Vivemos, há algum tempo, como que semi-adormecidos, quando não em estado de sonambulismo profundo. Algo nos embaça a visão e nos impede de ver que estamos, provavelmente desde os primeiros momentos de vida, crescentemente aprisionados nas engrenagens e repetições de nossas próprias máquinas, sujeitados a seus ritmos não-humanos, imersos em suas vibrações e hipnotizados pela velocidade crescente dos fluxos materiais e semióticos que estranhamente nos unem a elas.
O texto que se segue é uma tradução de uma tradução e vai começar a ser lido
FICÇÃO
Herwig Turk e Paulo Pereira
«O Laboratório Invisível» reúne as últimas obras criadas no âmbito do projecto BLINDSPOT, iniciado em 2004, por Herwig Turk em co-autoria com Paulo Pereira. BLINDSPOT visa criar objectos e dispositivos artísticos que procuram problematizar o valor simbólico da percepção enquanto parte integrante e contaminante dos processos de construção do conhecimento científico.
Cecilia Diaz-Isenrath, Emerson Freire e Pedro P Ferreira
A Ciência representaria hoje, no senso comum, o caminho confiável na busca incessante pelo conhecimento último (codificável), não-hierárquico (buscando diferenças de grau de uma quantidade homogênea) e não-propagandístico («objetivo»). E a imagem do «aparato» científico ainda tem forte poder nesse sentido. Para Laramée, porém, nem Arte nem Ciência devem servir como tiranos de alguma verdade. Em realidade, ela quer mostrar a característica de infinita recombinação contida nas experimentações e nos processos, comuns à Arte e à Ciência.
Proponho algumas perguntas que, não sendo rigorosas nem bem articuladas, podem estimular o diálogo online na NADA. São, portanto, perguntas para as vossas perguntas. São perguntas que tentam pensar e que, eventualmente, se apresentam já desfeitas pela sua própria tensão.
Esta é uma exposição cujo tema principal é a meteorologia. Não é a primeira vez que o nosso trabalho se apropria desta matéria. Já em projectos anteriores se pode sentir um certo ambiente fenomenológico que se refere ao ar. No entanto, parece ser adequado esclarecer de que forma este conceito é tornado complexo na obra para propormos uma exposição que se autonomiza dos projectos anteriores sem deles estar desagregado.
O projecto Decon utiliza métodos e materiais de biotecnologia como artmedia
para criação de réplicas de quadros geométricos de Mondrian em
meio de suporte para crescimento de bactérias. As cores desses quadros
serão progressivamente degradadas por bactérias Pseudomonas putida.