Às vezes, os media convocam a pintura. Digo «pintura» e não a arte em geral, que é uma categoria que eles nunca duvidam saber o que seja, mas que, por isso mesmo, lhes parece mais apetecível. Falar daquilo que surge definido antes de ser interrogado é a missão que os nossos jornalistas tomam em mãos. É cada vez mais frequente sermos informados do preço de uma obra, do número de visitantes de uma exposição, da vida mundana do artista e do modelo, das características do edifício que alberga as colecções. A arte é hoje um mundo que alguns habitam. Só o modo de vida que aí se leva interessa para fins comunicacionais. Falar de pintura é, por essa razão, inadequado para os públicos desses meios de comunicação.
«Ler Marx», só. E ler Sousa Dias que veio a dar-nos uma leitura de Marx im-possível, não a leitura da grandeza, mas a grandeza da leitura, que é a única grandeza que nos acerca de Marx. Ler alguém que pensa o acontecimento que é Marx, simplesmente o acontecimento de uma vida que nos interpela porque ainda não foi, ela mesma, lida naquela possibilidade que ela mesma encerra: a de ser lida e não repetida.
Este livro debruça-se sobre as implicações, os impactos e repercussões do devir tecnocientífico a nível planetário tendo como eixo a condição humana, e procede a uma desmontagem e desactivação das narrativas, muitas delas de teor messiânico, que legitimam e extremam esse devir.
Proponho algumas perguntas que, não sendo rigorosas nem bem articuladas, podem estimular o diálogo online na NADA. São, portanto, perguntas para as vossas perguntas. São perguntas que tentam pensar e que, eventualmente, se apresentam já desfeitas pela sua própria tensão.
Esta é uma exposição cujo tema principal é a meteorologia. Não é a primeira vez que o nosso trabalho se apropria desta matéria. Já em projectos anteriores se pode sentir um certo ambiente fenomenológico que se refere ao ar. No entanto, parece ser adequado esclarecer de que forma este conceito é tornado complexo na obra para propormos uma exposição que se autonomiza dos projectos anteriores sem deles estar desagregado.
«A Nada entra na rede depois de já ter passado seis anos no papel. Não se trata de uma migração porque não é para um lugar que nos dirigimos. Permanecemos no papel porque ele nos lembra uma persistência áspera das palavras que nos encanta ainda...»